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Dow Jones - Batimento cardíaco do capitalismo

Dow Jones - Batimento cardíaco do capitalismo

A vida não parece estar mais tão dura para os altos investidores de Wall Street (Atenção: não estou falando dos médios nem dos pequenos). Vejam só que interessente: em outubro do ano passado – há menos de um ano atrás, portanto -, o castelo de cartas do capitalismo parecia, enfim, se desmantelar. A tal da crise-estrutural-do-capital havia chegado para varrer o mundo inteiro e abria as portas para uma nova ordem mundial. Por um instante, confesso, até eu acreditei.

Se antes, apregoavam os liberais, o problema do mundo estava todo no “protecionaismo, na falta de liberdade dos mercados, na burocratização e ineciência estatal…” , subitamente parece que a coisa toda mudou – para deixar tudo como está, é claro. O homem do mal que se chamava Estado saiu do casulo e, da noite pro dia, se transformou no melhor amigo de um cara chamado Mercado, que evidentemente é bonito, loiro e muito moderno.

Nessa brincadeira, ninguém ficou de fora. A crise ameaçou o Mercado que, apesar de loiro, bonito, odiaro outro bofe, e coisa tal, não teve outra escolha a não ser ser socorrido pelo Estado. Aí que entra a ironia: certo dia, o Estado foi de gata borralheira a Cinderela e o Mercado foi de velho-rico a pedinte . O CitiBank é a maior prova disso: o mesmo banco que mandava e desmandava na negociação da dívida externa latino-americana nos anos 80, é um dos que, hoje, adivinhem, se beneficiou da ajuda bilhonária concedida pelo governo estado-unidense. Fantástico, não?

Estima-se algo em torno de alguns trilhões (se me pedirem pra colocar em números essa grana, nem eu vou saber) de dólares a “ajuda” ao sistema financeiro. Ah, sim, eu poderia colocar aqui uma comparação entre o valor necessário para se acabar com a fome no mundo em relação a essa ajudinha. Mas isso é muito clichê. Também poderia dizer: “vejam o absurdo! usaram a sua grana pra saldar dívida de banqueiro! Quando é o ‘cidadão comum’ quem teve, ele não tem esse arrego”. Mas também não quero.

Sabem por quê? Porque um desses bancos gigantescos e xinfrins por aí – um tal de Goldman Sachs – anunciou essa semana que, após quase ir à falência, através da ajuda de custo do north american government, elevou seu lucro em, nada mais nada menos que 89% em relação ao primeiro trimestre desse ano. A brincadeira rendeu quase 5 bilhões de reais líquidos – excluídos o empréstimo do governo.

E não. Também não estou aqui pra dizer, somado ao coro comum: da velha história da “socialização do preju”. Isso é coisa que até a Miriam Leitão e seu amiguinho Sardenberg diriam.

Escrevo esse texto porque não há nada que tenha ocorrido ao longo dessa crise que não ocorra em outros momentos menos extraordinários. Quando empresas (ou bancos) grandes vão à falência, o Estado vai lá e as socorre. Essas mesmas empresas que reclamam dos impostos, das leis trabalhistas, da burocracia, do perfume e da cor do esmalte do Estado. Desde 1835 as coisas são assim, e não é hoje, porque tem um Negro na presidência dos States que as coisas vão mudar.

Minha senhora, num modelo de organização social chamado capitalismo, é assim que as coisas funcionam. Quem reclama vai continuar a reclamar, e quem se aproveita vai continuar a se aproveitar. Quem gostou, belê. Quem não gostou, junte-se a nós. Porque, no fim das contas, a dona de casa é quem paga a conta. Você paga, mas quem sente a crise você sequer chega a ver – está nos guetos, definhando.

Mas, tudo bem, né? Você, que me lê, deve ter a sua casa, sua cama, sua faculdade, sua família feliz e patati e patatá. Provavelmente não deve ter muito o que se preocupar. Afinal, a pobreza jamais poderá alcançá-lo.

Será mesmo?

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