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Posts Tagged ‘Reforma Política’

Sarney, com seu bigodinho torto e uma bonita gravata borboleta.

Sarney, com seu bigodinho torto e uma bonita gravata borboleta.

Quem lê jornais (no Brasil eles são de tanta má qualidade, que pouquíssimos entre nós os lêem) deve estar por dentro: a crise do senado tá pegando fogo.  Se desde o início do ano pipocavam por aí denúncias por todos os cantos, parece que hoje elas foram plasmadas no personagem ideal: José Sarney.

O Sarney é um desses políticos clássicos do imaginário coletivo tupiniquim. Ex-presidente, membro da academia brasileira de letras, representante do velho coronelismo no Maranhão. Enfim, a personificação daquela política privatista, de concessão de privilégios, alheia à lógica republicana e coisa e tal. Sarney é um alvo fácil. E, sinceramente, quando há consenso demais, o santo desconfia – o sistema político brasileiro, definitivamente, deve estar com algum problema.

E, não, senhora dona de casa: o problema não se reduz à “mania do brasileiro de passar por cima das leis”, ou “do velho jeitinho”, ou da “cultura da malandragem”. Senhoras e senhores, lamento dizer que o buraco é mais em baixo. Não basta dizer que temos políticos corruptos. Não basta dizer que ninguém tem salvação. Não basta falar, na sua conversa com seu tio, que você queria que Brasília fosse pelos ares. As questões são outras.

Talvez tenha chegado a hora, definitivamente, de uma postura um pouco mais radical (para os leigos, radical não tem nada a ver com um barbudo munido de um coquetel molotov. Vem do latim radic, que remete às raízes, à essência). Talvez, quem sabe, seja o momento de se perguntar: ora, por quê será que um cara como o Sarney tem seu lugar no nosso sistema político?

Eu sei que é legal falar mal de políticos. Alivia a tensão. Vende jornais. As revistas conseguem mais assinantes e coisa e tal. Além disso, é bonito falar mal do bigodudo. Pega bem. Faz a gente pensar que tá do lado do bem e pá pá pá – afinal, ele é a representação do século XIX enquanto nós, classe média letrada, temos acesso ao conhecimento, à internet, e outras coisas modernas. No entanto, meu povo, enquanto a pergunta ali de cima não for respondida, um Sarney vai passar, vai chegar outro, e depois outro e depois um outro – talvez esse seja odioso o bastante pra que a gente fale bastante mal, como fazemos agora, para aliviar a tensão – e não é bem isso o que a gente quer, né? Ou não?

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